Com assinatura de Carvalho Araújo, o projeto de reabilitação da Casa Mãe propiciou à Quinta da Alameda um espaço exemplar de interações e vivências. Para além do seu apelo estético, esta obra de autor veicula agora ampla versatilidade e funcionalidade.
A reabilitação da Casa Mãe teve como princípio fundamental a preservação da memória e da identidade do lugar. Com primazia para a pedra, a intervenção privilegiou o emprego de materiais naturais que promovessem um diálogo consonante entre o tradicional e o contemporâneo.
Através de uma abordagem de mínima intervenção para máximo impacto, o projeto respondeu a necessidades prementes de polivalência e flexibilidade cujo desenvolvimento permitiu a adaptação dos espaços a diferentes usos. Exemplo disso foi o desenho de uma ampla praça como tribuna exterior devotada a eventos sociais, enológicos ou culturais.
Consubstanciado em cortiça ou madeira maciça, o mobiliário interior de desenho orgânico e curvilíneo acentuou a perceção de naturalidade que permeia a plenitude do edificado. Dotada de amplas superfícies envidraçadas, a divisão maior também está disposta para que a luminosidade externa participe em todos os vetores do espaço. Por seu turno, a introdução do aço e do betão armado assegurou uma imagem forte na unidade do conjunto.
O desenho valorizou a continuidade visual e espacial no nível térreo. O alpendre existente foi reformulado de modo a conduzir a um espaço central amplificado numa nova varanda suspensa que se intromete na paisagem. Desta forma, foi assegurada não só a fluidez arquitetónica no interior da Casa, mas também na sua relação com a anfitriã: a envolvente excecional da Quinta da Alameda. O traçado do edifício faculta, como consequência, a contemplação da frondosidade nos bosques circundantes.
Lateralmente, foi mantida a localização da cozinha e estabelecida a conexão à adega privada na semicave através de escada interior. Mais do que uma reabilitação, este projeto representou uma reinvenção da pré-existência que respeitou o passado e criou um novo espaço de futuro para a Quinta da Alameda. Com um olhar no amanhã, a Casa Mãe constitui uma expressão física de reverência ao Dão e aos seus elegantes vinhos.