
Pai da Química moderna, Antoine Lavoisier provou em 1789 que ‘nada se cria, nada se perde, tudo se transforma’. No entanto, esta transformação apenas pode seguir um de três rumos possíveis: o indiferente, o destrutivo ou o construtivo.
Ora, a Movecho e a Quinta da Alameda apenas vislumbram um futuro navegado por rumos construtivos. Daí que, guiadas por uma premissa de circularidade produtiva, ambas decidiram inovar com suporte no know-how industrial da primeira e no vanguardismo vitivinícola da segunda.
Foi assim criado o EcoVinePanel, um projeto pioneiro que eleva o compromisso ambiental deste consórcio a um patamar cimeiro de sustentabilidade e evolução tecnológica.
Ano após ano, a região do Dão gera milhares de toneladas de subprodutos sólidos largamente esquecidos e desaproveitados. Neles se incluem, por exemplo, os engaços, as películas e as grainhas que restam após a prensagem das uvas.
Por agora apenas latente, o amplo potencial destes subprodutos está encarcerado por ausência de soluções que os restituam à cadeia de valor.
Porque não, então, desenvolver estas soluções diferenciadas no âmbito da economia circular? E porque não mobilizar o melhor do nosso saber em prol do melhor para a nossa terra?
De acordo com a visão de Luís Abrantes, CEO da Movecho, o projeto EcoVinePanel visa, precisamente, materializar estas respostas através do desenvolvimento de painéis compósitos a partir da valorização dos subprodutos da indústria vitivinícola.
Com vastas aplicações práticas, estes painéis ecológicos poderão depois ser transformados em diversos produtos finais que levarão a textura natural da vinha ao mobiliário de luxo, ao design orgânico de interiores ou às próprias embalagens do nosso vinho.
O progresso avança mais célere quando a nossa indústria e a nossa academia juntam as suas forças. É por isso que o EcoVinePanel está alicerçado numa rigorosa arquitetura de colaboração com entidades de referência.
Com efeito, no quadro COMPETE 2030, este projeto alia o domínio de terreno da Movecho/Alameda ao conhecimento tangível da ARCP CoLAB e do Instituto Politécnico de Viseu (IPV).
Desta partilha contínua emergiu a resposta a um dos maiores desafios na transformação dos sobrantes vitivinícolas: o desenvolvimento de adesivos e de resinas de génese inteiramente natural, com base, por seu turno, em subprodutos agroflorestais locais.
Este avanço permite aglomerar os materiais da vinha (e da própria madeira industrial) sem recurso a ligantes sintéticos e com superação plena dos mais exigentes testes de durabilidade, consistência e desempenho técnico.
O vinho e a vinha não têm de seguir rumos lineares, indiferentes e separados após cada vindima. Bem pelo contrário, estes rumos deverão ser cíclicos, circulares e construtivos para o território onde cursam a sua existência.
Para a nossa região, apenas pode ser encorajante aproveitar com mestria os recursos nela nascidos. Para a nossa indústria, apenas pode ser encorajante inovar e abrir novos mercados. Para a Quinta da Alameda, apenas pode ser encorajante ver o nosso vinho envolto em embalagens da nossa vinha.
Para além de mitigar a nossa pegada ecológica, o EcoVinePanel preserva a memória do fruto e estende a vida das plantas bem para lá do vinhedo. Cruzamos a cultura do vinho com a ecoeficiência, o apuro estético e o rigor da engenharia. E corrigimos humildemente Lavoisier: muito se cria, caro mestre químico, mas para isso é preciso saber transformar.