O Tagis na Alameda: A Criação de Habitats para Borboletas e Outros Polinizadores


Imagine um mundo onde maçãs ou cerejas seriam raridades. Ou onde simples couves e tomates seriam luxos inacessíveis à vasta maioria das pessoas. Um mundo onde a dieta humana ficaria restrita a cereais (e pouco mais), a qual levaria a carências nutricionais graves, fome generalizada e instabilidade socioeconómica global.

Imagine também um mundo sem plantas suficientes para alimentar adequadamente os herbívoros, os quais, por seu turno, nunca poderiam sustentar carnívoros e omnívoros. Um mundo de colapso da flora silvestre, de destruição da vida animal e de extrema degradação ambiental à escala planetária.

Ora, este seria o mundo triste, mortal e desolador que teríamos caso os insetos desaparecessem.

O Trabalho Invisível e Irreplicável dos Polinizadores

Destes pequenos guardiões, estima-se que os insetos polinizadores gerem 2000 milhões de euros anuais apenas para a agricultura nacional. Sim, porque os polinizadores fazem o trabalho de milhões: de graça, com graça e incomparável graciosidade.

Porém, as abelhas e as borboletas enfrentam uma grave crise de conservação na Europa. Dados da Lista Vermelha da UICN indicam que um quarto das borboletas europeias e cerca de 172 espécies de abelhas selvagens estão ameaçadas de extinção.

A Agência Europeia do Ambiente, por seu lado, afirma que o declínio destes insetos ameaça cerca de 80% das culturas agrícolas e flores silvestres. Em Portugal, 16 espécies de borboletas encontram-se no limiar de sobrevivência populacional.

Tanto por cá como no resto da Europa, os polinizadores estão cada vez mais ameaçados pela perda contínua de habitats, pela agricultura intensiva, pela expansão urbana, pelo uso de pesticidas e pelas alterações climáticas.

Ciência e Natureza de Mãos Dadas na Alameda

Daí ser tão importante dar-lhes condições para viver e prosperar. E é por isso que a Quinta da Alameda convidou a ciência do Tagis - Centro de Conservação das Borboletas de Portugal, para nos ajudar a criar e recuperar habitats de polinizadores no espaço da nossa quinta.

Com o contributo de investigadores na vanguarda da conservação - associados a faculdades de referência como a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa - o Tagis traz o rigor científico que queremos aplicar no terreno.

Juntos, esperamos contribuir para a criação de habitats mais férteis, mais coloridos, mais felizes. Porque, afinal, o bem deles é também o bem de todos nós.

Acompanhe esta viagem: nos próximos meses, partilharemos as espécies que habitam a nossa quinta e as ações práticas que estamos a implementar. Até lá.