Alameda e Tagis: Uma Parceria em Prol dos Polinizadores


Sem polinizadores, a dieta humana colapsaria à escala global. Na verdade, milhões de pessoas não teriam o que comer. A flora silvestre e a vida animal também definhariam numa devastadora reação em cadeia. Mas, apesar de insubstituíveis, estes pequenos obreiros estão a enfrentar uma crise profunda na Europa e bem mais além.

As maiores causas desta crise são a perda de habitats, a expansão urbana, os pesticidas e as alterações climáticas. Coordenada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), a mais recente Lista Vermelha Europeia veio confirmar a dimensão de um problema que poderá assumir dimensões catastróficas caso não seja revertido nas próximas décadas.

Segundo esta avaliação, mais de um quarto das borboletas europeias (28,3%) estão hoje ameaçadas ou perto de o estar. Só na última década, o número de borboletas em risco de extinção subiu cerca de 75%. E mais de metade destas sofre já o efeito direto do aquecimento do clima.

A situação das abelhas selvagens não é mais animadora: de facto, uma em cada dez enfrenta o risco de desaparecer. Entre os abelhões, tão determinantes para culturas como a ervilha ou o feijão, a fração de espécies ameaçadas ultrapassa já os 20%. Neste âmbito, é de ressalvar que 90% das plantas com flor da Europa dependem exclusivamente da polinização animal.

E Portugal não é alheio a dolorosos episódios relacionados com os polinizadores. A branca-da-madeira (Pieris wollastoni), uma borboleta que só habitava a nossa ilha homónima, acaba de ser declarada oficialmente extinta. Não era avistada desde 1986. O seu desaparecimento é uma perda irreparável para a biodiversidade nacional.

Apesar de todas as ameaças, estes insetos continuam a operar verdadeiros milagres. E fazem-no de graça, com graça e incomparável graciosidade. Mais de metade das culturas do país depende diretamente da sua ação. Não é de surpreender, portanto, que um estudo pioneiro da Universidade de Coimbra tenha revelado que os polinizadores asseguram mais de 2 mil milhões de euros anuais à agricultura nacional.

Daí ser tão essencial dar-lhes boas condições para viver e prosperar. Ao protegermos os polinizadores, protegemos também a nossa própria sobrevivência e devolvemos beleza aos campos.

É por acreditar neste elo profundo que a Quinta da Alameda convidou a ciência do Tagis (o Centro de Conservação das Borboletas de Portugal), para nos ajudar a criar habitats dedicados a borboletas, abelhas e outros polinizadores.

Fundado em 2004, o Tagis é uma organização não governamental de ambiente e entidade de utilidade pública. Integra a Butterfly Conservation Europe e é uma das poucas instituições do país inteiramente dedicadas ao estudo e à conservação das borboletas e dos seus habitats. Ao seu saber juntam-se docentes e investigadores de referência, como os do CE3C, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Com esta parceria, a Alameda quer converter vastas zonas da propriedade em verdadeiros santuários vivos. Prados floridos, corredores de néctar e refúgios pensados com cuidado para que estes insetos encontrem alimento, abrigo e lugar onde se reproduzir. Criaremos habitats mais férteis, mais vibrantes e bem mais coloridos.

A Quinta parte já com vantagem. Os seus prados, lameiros e bosques acolhem uma população ativa de polinizadores e múltiplas espécies de borboletas diurnas amparadas pela infraestrutura ecológica que dá alma a esta casa. Reforçá-la com o Tagis é dar continuidade a uma convicção antiga: a de que a qualidade do vinho nasce da saúde da paisagem que o rodeia. Ao proteger os polinizadores, a Alameda protege a vida que sustenta as suas vinhas ou os seus pomares. E promete devolver, a cada estação, um pouco mais de cor e de beleza aos campos do Dão.