Como São os Vinhos do Dão?

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Certamente saberíamos apontar as diferenças se nos pedissem para distinguir entre um samba carioca e uma valsa vienense. Ambas são danças carismáticas, mas o Danúbio Azul tem um estilo muito distinto do Samba de Janeiro. Em pinceladas gerais, o mesmo se pode afirmar quanto aos vinhos de diferentes regiões como o Alentejo, o Douro ou o Dão.


E se há atributos que distinguem os vinhos do Dão, então esses atributos são a sua sublime elegância, o seu modelar equilíbrio e o seu potencial de envelhecimento.

Contudo, dada a riqueza da enologia, é impossível afirmar que todos os vinhos do Dão se distinguem pela imutabilidade destas características. Ainda assim, iremos de seguida deslindar as propriedades mais reconhecidas destes vinhos.

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Os Vinhos Tintos do Dão

Por vezes descritos como sedosos e aveludados, os vinhos tintos do Dão são frequentemente elogiados pelo refinamento da sua textura no paladar. Tal elegância tátil é um aspeto que os aparta de muitos outros tintos portugueses e estrangeiros.

Acompanhados por notas de frutos escuros como as amoras ou as cerejas pretas, os seus perfis aromáticos expressam mesclas apelativas de frutos vermelhos maduros.

Consoante o lote específico e a expressão do terroir, estes vinhos também podem emanar aromas que vão das notas picantes ou especiadas aos aromas balsâmicos e de bergamota. As nuances florais de violeta, os aromas a caruma e as notas de cacau são igualmente frequentes em muitos dos vinhos da região.

Já a estrutura dos tintos do Dão assenta numa acidez equilibrada e em taninos suaves e refinados. É claro que estes taninos se podem tornar bem mais firmes, assertivos ou potentes – como em quaisquer outros vinhos, tudo depende das escolhas feitas durante a vinificação.

De forma natural, as castas da região possuem uma excelente acidez que muito contribui para a evolução dos vinhos em garrafa. Tal evolução é muitas vezes potenciada pelo perfil de uvas como a Tinta Roriz ou a Touriga Nacional.

Numa lógica condicionada pelas castas e técnicas utilizadas, o corpo destes vinhos tintos varia usualmente entre o médio e o bem encorpado. Esta diversidade proporciona um leque de escolhas que abarcam desde os vinhos mais robustos e mais complexos até às expressões mais leves e centradas no fruto.

Todavia, mesmo sendo leves, os vinhos tintos do Dão raramente se tornam demasiado macios ou destituídos de vivacidade.

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Os Vinhos Brancos do Dão

Os brancos da região são bem merecedores de reconhecimento. Estes vinhos são notados pela sua boca cremosa, volumosa e texturada, especialmente naqueles feitos com a emblemática casta Encruzado. Ricas e envolventes, as sensações no paladar são usualmente suaves, de final longo e luxuriante.

A textura particular destes vinhos é dada pela acidez viva e pela qualidade mineral advinda dos solos do Dão. Sempre dinâmica, a acidez amplifica a frescura global e torna-os excelentes companheiros de uma diversidade de pratos leves.

De acordo com as uvas e lotes selecionados, os brancos da região apresentam um bouquet bem marcado por frutos cítricos, por vezes imiscuídos de melão, camomila, frutos de caroço e delicados matizes florais a rosas ou violetas.

Alguns também podem exibir grande complexidade aromática graças aos seus agradáveis toques de lima, toranja, papaia, alperce e pêssego. Já nos vinhos que passam por barrica, são frequentes as notas subtis de carvalho, baunilha ou frutos secos.

Usualmente de corpo leve a médio, os seus sabores remetem não só a citrinos, mas também a frutas frescas como a maçã, a pera ou o abacaxi.

Os solos graníticos da região e os vinhedos em altitude desempenham um papel significativo no desenvolvimento destes brancos graciosos, bem balanceados e com forte sentido de pertença: de facto, um bom vinho do Dão nunca terá quaisquer crises de identidade.

Quer sejam tintos ou brancos, a notável graciosidade e harmonia dos vinhos do Dão constituem expressões singulares desta região implantada. Mais valsas vienenses que sambas cariocas, estes vinhos enfatizam a graça e a finura em detrimento da potência e da intensidade. No final das contas, preconizado pela Quinta da Alameda, este é o traço que mais os demarca no belíssimo cenário dos vinhos nacionais.


Artigo revisto e validado por Patrícia Santos, enóloga da Quinta da Alameda. Formada em Enologia pela UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 2001). Com prática aprofundada sob Anselmo Mendes. Ampla experiência profissional nas regiões vitivinícolas do Dão, Bairrada e Beira Interior, bem como em Arribes (Espanha).